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Passado...? Por favor, não fujas. | Passado de Caminhos Cruzados

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Passado...? Por favor, não fujas. | Passado de Caminhos Cruzados

Numa tarde quente de agosto, rodeada de amigos, alguns acabados de conhecer (a Maria João e o Abílio, com os seus três filhos) e de bons vinhos, provei um surpreendente.

Entre risos, sorrisos, brincadeiras e amizades, levei o copo ao nariz.

Alto!

Alô!

O que temos aqui...?

O aroma intenso a maçã misturado com sementes de pêra, com maravilhosos aromas terciários de caramelo e alguma compota de pêra.

Analiso o meu copo.

Olho com atenção, em vez de o ver entre brincadeiras.

A sua cor é de um amarelo forte já a fugir para o tostado. A sua oxidação e o seu estágio ou envelhecimento são evidentes. O que será?

Quando bebo, a acidez mostra-se toda, vibrante e alegre!

O seu sabor mantém-se na boca e a minha surpresa é deliciosa.

Este vinho é um vinho de uma única casta, Encruzado, a casta de uvas brancas típica do Dão.

Sofreu um estágio em barricas usadas de Carvalho Francês durante 31 meses, de mais de dois anos e meio, e saiu para o mercado há poucos dias. Chamaram-lhe Passado.

Um vinho encantador, da Lígia e do Paulo, donos dos Vinhos Caminhos Cruzados , produzida pela equipa de enologia, a residente Carla, Carloto Magalhães e Manuel Vieira.

Esta equipa é detentora de vinhos fora da caixa, como é o caso deste Passado 2015 , a Descarada 2017 — um vinho produzido num ano de temperaturas muito altas durante o período de maturação em que as uvas atingiram alta concentração de açúcar, fugindo de todas e quaisquer estimativas e perfis,

que numa aposta louca e cheia de traços de genialidade, estes enólogos, criaram um vinho cheio de acidez e doçura com deliciosos aromas a banana e fruta branca, e o novíssimo Clandestino 2017 — um vinho tinto produzido com castas estrangeiras que não dizem quais são. É quente ao cheiro, repleto de fruta preta e erva. Na boca, destaco a sua cremosidade com notas de cacau e doçura, não coerentes com a sua produção sem barrica.

Vou ter que voltar a provar este último, para melhor analisar...

Até breve,

On a hot August afternoon, surrounded by friends, some of whom I had only just met (Maria João and Abílio, with their three children), and good wines, I tasted a surprising one.

Amid laughter, smiles, games and new friendships, I raised the glass to my nose.

Wait!

Hello!

What do we have here...?

An intense apple aroma mingled with pear seeds, alongside wonderful tertiary aromas of caramel and a little pear compote.

I examine my glass.

I look at it carefully, instead of merely catching glimpses of it between games and laughter.

Its colour is a deep yellow, already edging towards toasted. Its oxidation and its time in oak—or ageing—are evident. What could it be?

When I drink it, the acidity shows itself in full: vibrant and cheerful!

Its flavour lingers in the mouth, and my surprise is a delightful one.

This is a single-variety wine, made from Encruzado, the typical white grape variety of Dão.

It spent 31 months—more than two and a half years—ageing in used French oak barrels, and was released onto the market just a few days ago. They called it Passado.

A charming wine from Lígia and Paulo, owners of Vinhos Caminhos Cruzados, made by the winemaking team: in-house winemaker Carla, Carloto Magalhães and Manuel Vieira.

This team is responsible for some wonderfully unconventional wines, such as this Passado 2015, a Descarada 2017—a wine produced in a year of very high temperatures during the ripening period, when the grapes reached a high sugar concentration, defying every estimate and expected profile,

and which, in a wild gamble full of flashes of genius, these winemakers turned into a wine brimming with acidity and sweetness, with delicious aromas of banana and white fruit—and the brand-new Clandestino 2017, a red wine made from foreign grape varieties whose identities they do not disclose. It is warm on the nose, packed with black fruit and herbs. On the palate, I highlight its creaminess, with notes of cocoa and sweetness, surprising in a wine made without oak.

I’ll have to taste this last one again, so I can analyse it more carefully...

Until next time,

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  • Dão
  • Encruzado
  • Caminhos Cruzados
  • Clandestino 2017
  • Descarada 2017
  • Passado 2015

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Comentários (1)

  • Susana 12 de fevereiro de 2020

    Gosto muito dos caminhos cruzados.

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