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Carmenere rebrota num prazer chileno.

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Carmenere rebrota num prazer chileno.

Vinho passa da garrafa para o copo. Chateau Los Boldos, Tradition Réserve, Carmenere, 2014, Chile.

O aroma que fica no ar, traça um convite. Nariz para o copo, já.

Resisto a não provar. Só cheirar.

Delicioso, rico, intenso.

Quanto mais abre aromaticamente, mais visíveis se tornam os olores (sim, esta palavra existe) — chocolate, charuto, terra, ameixa.

A doçura do primeiro golo, eu atribuo ao estágio na barrica de carvalho francês e à elegância da compota de ameixa, tomate e pimento verde picante, permanece viva.

Gosto que a compota e o gosto do charuto percorram a minha boca, deixando para o fim o toque doce do chocolate que se mantém no fundo da minha boca.

Surpreendeu-me.

Carmenere, nunca ouvi falar.

Já dada como extinta no velho mundo, foi redescoberta em 1994 no Chile pelo Jean-Michel Boursiquot, que reparou que o Merlot lá plantado estava a ter diversos comportamentos na sua maturação. Depois de estudar e analisar a vinha descobriu que lá misturado havia a antiga variedade de Bordeaux Carménere, cultivada desavisadamente com Merlot.

Esta casta adaptou-se tão bem ao clima e solos chilenos, que rebrotou como uma das uvas mais importantes do Chile.

Sempre gostei de estudar o mapa do mundo, mas confesso que não tinha

prestado grande atenção a este pais. O mundo dos vinhos tem-me mostrado o globo com outros olhos. Já repararam que o Chile é um país, com 4 300 quilómetros de comprimento e, em média, 175 quilómetros de largura? Possui fiordes, glaciares, vulcões, ilhas e desertos? A parte mais estreita tem 17 quilómetros? Tem neve e deserto. E sem considerar o pólo sul é o pais mais ao sul?

Incrível!

Até breve,

Wine passes from the bottle into the glass. Chateau Los Boldos, Tradition Réserve, Carmenere, 2014, Chile.

The aroma that lingers in the air traces out an invitation. Nose to the glass, now.

I resist the urge to taste. Just smell.

Delicious, rich, intense.

The more it opens aromatically, the more visible the smells become (yes, that word exists) — chocolate, cigar, earth, plum.

The sweetness of the first sip, which I attribute to the time spent in French oak and to the elegance of the plum, tomato and spicy green pepper compote, remains alive.

I like the way the compote and cigar flavours travel across my mouth, leaving the sweet touch of chocolate until the end, lingering at the back of my mouth.

It surprised me.

Carmenere, I had never heard of it.

Once considered extinct in the old world, it was rediscovered in 1994 in Chile by Jean-Michel Boursiquot, who noticed that the Merlot planted there was behaving in various ways as it ripened. After studying and analysing the vineyard, he discovered that the ancient Bordeaux variety Carménere had been mixed in there, unwittingly cultivated alongside Merlot.

This grape adapted so well to the Chilean climate and soils that it sprang back to life as one of Chile’s most important grapes.

I have always enjoyed studying the map of the world, but I confess I had not paid much attention to this country. The world of wine has shown me the globe through different eyes. Did you know that Chile is a country 4 300 kilometres long and, on average, 175 kilometres wide? That it has fjords, glaciers, volcanoes, islands and deserts? That its narrowest point is 17 kilometres wide? It has snow and desert. And, without considering the South Pole, it is the southernmost country?

Incredible!

Until next time,

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Comentários (2)

  • Anónimo 13 de maio de 2019

    Estudar geografia pelo vinho. Muy bien.

  • Menina do Livrinho 17 de junho de 2019

    Tudo serve para crescer e querer mais!

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